Obstetrícia e Neonatal

A enfermagem obstétrica é um dos caminhos da profissão de enfermeiro. Nela, o profissional vai oferecer todo o suporte à mulher durante a gravidez. Isso inclui orientar o pré-natal, garantir todas as condições para a realização de um parto normal seguro, prestar assistência pós-parto e lidar com determinadas situações de baixo risco.

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) é o órgão que regulamenta e estabelece quais atividades da área obstétrica o profissional pode exercer. Separamos algumas das suas principais atribuições para que você possa compreender melhor a especialidade. Confira!

  • Dirigir e chefiar o setor de enfermagem em qualquer tipo de instituição no que diz respeito à área de obstetrícia
  • Realizar consultas na área da enfermagem obstétrica
  • Fornecer assistência a pacientes obstétricos em estado grave
  • Oferecer cuidados de maior complexidade que exijam conhecimento científico na área de obstetrícia
  • Saber tomar decisões imediatas
  • Prescrever medicamentos previstos em programas de saúde pública na área obstétrica
  • Colaborar na construção de centros clínicos especializados em obstetrícia
  • Prevenir infecções hospitalares, doenças transmissíveis e danos que possam ser causados aos pacientes obstétricos
  • Acompanhar a evolução e o trabalho de parto
  • Executar partos normais
  • Emitir laudos para o procedimento de parto normal
  • Assistir a gestante e o recém-nascido
  • Realizar procedimentos específicos como a episiotomia e a episiorrafia, além de anestesia local
  • Desenvolver programas educacionais na área obstétrica para melhorar a qualidade de vida da população.

Enfermagem ginecológica e obstétrica


Esse é outro nome dado à enfermagem obstétrica, mas que possui uma ênfase um pouco maior na saúde da mulher. Por isso, o acréscimo do termo ginecológica.

Na prática, não muda muito.

Afinal, ao prestar todos os cuidados necessários ao bebê, automaticamente, o profissional está prezando pelo bem-estar da mãe e vice-versa.

O pré-natal, os exames laboratoriais e uma assistência humanizada durante toda a gestação são potencializados aqui.

Somam-se a eles, a gestão de políticas e os serviços de atenção à saúde da mulher, como o incentivo ao parto normal e humanizado, por exemplo.

Assistência de enfermagem na emergência obstétrica


Por mais que sempre se incentive o parto normal, ele nem sempre é possível.

Existem emergências obstétricas que podem ocorrer e fazer com que uma cesariana seja o procedimento mais indicado.

Nesses casos, é mais do que necessário contar com a assistência de um enfermeiro especializado para contornar bem a situação.

A seguir, veja seis situações em que a cesariana é indicada:

Contrações não efetivas


Para que o bebê possa descer de maneira natural, não basta que haja contrações. Elas precisam, de fato, empurrá-lo para baixo.

Esse tipo de movimento, normalmente, acontece quando tem início no fundo do útero e desce de forma sincronizada.

Agora, quando isso não acontece, a mãe pode ficar horas em trabalho de parto e a criança não vai se movimentar de forma adequada.

Má administração da ocitocina


A ocitocina é a substância que colabora para o surgimento das contrações.

No entanto, quando usada de maneira incorreta, ela pode mais atrapalhar do que ajudar.

Se administrada em excesso, por exemplo, ela pode causar sofrimento do feto ou impedir que ele desça de maneira mais natural.

Por isso que é tão importante a presença de um profissional obstetra capacitado para seguir os protocolos e usar a dosagem adequada.

Cabeça do bebê muito maior do que o canal vaginal


Às vezes, não importa o quanto o colo do útero está dilatado, não há como um bebê chegar ao canal vaginal. É o que os especialistas chamam de "desproporção encéfalo-pélvica".

No entanto, nem sempre esse quadro é possível de ser diagnosticado com antecedência, cabendo ao profissional perceber isso durante o procedimento.

Nesses casos, não há o que fazer. O parto normal se torna impossível e a cesária, a única opção.

Sofrimento do bebê


A mãe da criança não é a única a sofrer durante o parto. Para o bebê, cada contração é um incômodo.

Felizmente, esse sofrimento pode ser monitorado pelo profissional que conduz o parto, por meio da cardiotocografia.

Assim, quando os batimentos cardíacos da criança estão muito baixos, pode ser um sinal de que ela esteja sofrendo. Ou, como os especialistas costumam definir, há um quadro de queda da vitalidade fetal.

Nesses casos, para agilizar o processo e acabar com a dor e a angústia, recomenda-se a cesária.

Posição equivocada do bebê


A natureza humana é incrível - e isso aparece já no nascimento.

Existe uma posição certa para o bebê vir ao mundo no parto normal, que é aquela na qual está com o queixo encostado no tórax.

Quando há um problema de ângulo, chamado tecnicamente de "defletida de 2º grau", optar pelo parto convencional pode ser muito arriscado, sendo altamente recomendada a cesária.

Felizmente, esses casos não costumam ser recorrentes.

Anestesia em excesso


A dor do parto é quase insuportável e está entre as mais fortes.

Por isso, a anestesia exerce um papel muito importante. Ela permite à mãe ficar mais confortável, na medida do possível, para realizar os movimentos e fazer a força necessária para o procedimento do parto normal.

No entanto, se aplicada em excesso, a anestesia pode acabar com a sensibilidade da cintura para baixo, fazendo com que a mulher perca o controle do próprio corpo.

Novamente, a presença de profissionais capacitados se mostra imprescindível.

Somente eles têm a capacidade de saber a dosagem ideal de medicação em cada caso.

Mercado de trabalho

Segundo o documento "Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal", publicado pelo Ministério da Saúde em 2017, a cada ano, ocorrem 3 milhões de nascimentos no Brasil.

Desse número, a maioria (98%) dos partos acontece em estabelecimentos hospitalares.

Ou seja, existe uma necessidade muito grande de profissionais obstétricos capacitados para fazer desses nascimentos os mais seguros possíveis para as mulheres e seus bebês.

Isso, somado ao pacto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, é uma das razões que fazem do mercado de trabalho para o enfermeiro obstetra um cenário promissor.

No que o enfermeiro obstetra pode trabalhar?


O enfermeiro obstetra pode atuar em diferentes áreas. Desde integrar equipes de saúde multidisciplinares em realizar partos em instituições públicas e privadas, até atender mães a domicílio e oferecer todo o suporte à gestante e ao bebê.

Além disso, o profissional pode trabalhar em hospitais, postos de saúde, laboratórios, e maternidades.

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